quinta-feira, 30 de julho de 2009

À palo seco

Ontem quando eu voltei pra casa, estava uma confusão na portaria. Havia um carro da polícia estacionado em frente ao prédio e dois oficiais em pé: um pagando de segurança e o outro com um bloco de anotações na mão. Eu fiquei curioso, mas pra não ser inconveniente, eu segui o meu caminho normalmente, como se nem tivesse notado toda aquela estranha movimentação.
Quando eu subi, obviamente, vieram me contar o acontecido. A primeira a falar foi a empregada, que adora uma fofoca. Depois foi minha mãe, que acha "fofoqueira" um termo muito vulgar, e se auto-denomina como "portadora de informações privilegiadas". Elas disseram que o filho mais novo do vizinho do terceiro andar tinha fugido de casa. Disseram isso arregalando os olhos, como se fosse um absurdo. Mas eu ouvi aquilo e fiquei triste. Não por preocupação com os pais do garoto, nem mesmo com o garoto que, segundo minha mãe, estava solto nesse mundo perigoso. Eu fiquei triste porque eu sempre tive o sonho de fugir de casa, mas nunca tive realmente coragem para consumar esse sonho. Teve uma vez que eu cheguei até a juntar uma trouxa de roupas; estava decidido em partir para onde o destino quisesse me levar... Tinha decidido que passaria na casa de um amigo e o convenceria de que a nossa vida era uma mentira, de que tanto comodismo não podia ser real, e que provavelmente existia uma outra vida além da "matrix" em que vivíamos. Mas, se me lembro bem, minha mãe trouxe pizza de calabresa para o jantar - eu simplesmente amo pizza de calabresa -, e foi aí que desisti da minha mais bem sucedida tentativa de fugir de casa.
Hoje, quando eu vejo em filmes crianças fugindo de casa porque pensam que suas vidas são uma "merda", eu penso no que teria acontecido se eu tivesse chegado a fugir. Eu teria deixado um bilhete pra minha mãe:
"Mãe, serei sempre grato por tudo que você fez por mim, mas você sabe que, depois que cresce, o filho vira passarinho e quer voar. Um abraço do seu passarinho filho"
Ou quem sabe eu teria sido mais dramático:
"Mãe, fui embora desse inferno. Por favor, não tente me encontrar"
Eu ficava pensando se minha mãe sentiria minha falta, ou se ela agradeceria por não ter mais que mandar eu desligar o vídeo game de madrugada, por não ter mais que gastar dinheiro consertando minha bicicleta, e por não ter que receber reclamações da diretora do colégio dizendo que eu não fazia as lições.
No ano passado eu saí de casa (pacificamente), passei a morar com dois amigos, e eu descobri que a matrix continuou a mesma, só que com outro endereço. Eu pensei: agora é definitivo, vou viver uma vida independente. Mas o mundo dá voltas, e eu estou de volta à casa da "mamãe". Acho que vou aproveitar para fugir de casa agora, só pela experiência. Será que o filho do vizinho do terceiro andar está precisando de um parceiro?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Enjoy the silence!

Acho que eu estou começando a descobrir porque as pessoas gostam tanto de ter blog. É bem mais fácil falar as coisas em silêncio.

Desde o meu único último post eu fiquei pensando sobre o que escreveria no próximo. Fiquei vagando de blog em blog (e encontrei alguns muito bons!) e percebi que não preciso de um assunto específico. É como a "estranha" de São Paulo disse: basta escrever a primeira frase que a gente se liberta, e todo o trabalho fica por conta dos dedos. No caso específico de hoje, os dedos e os olhos, porque estou usando o notebook, e eu nunca sei decorado onde são as teclas, principalmente quando são teclas de acentos - elas parecem que se escondem. Mas essa minha dificuldade de adaptação com as coisas novas não se aplica apenas nos teclados. Eu odeio quebrar paradigmas! Gosto de ter uma rotina, gosto de seguir horários, gosto de planejar e acordar sabendo exatamente o que tenho que fazer no dia. É claro que isso dificilmente acontece; a vida é cheia de surpresas, imprevistos, e por mais que a gente trace uma reta única para seguir, sempre acabamos pegando alguns atalhos, entrando em algumas esquinas erradas.
No entanto, apesar de saber que isso nem sempre é possível, eu gosto de me sentir no controle, e as vezes irrito as pessoas com essa minha mania. Por exemplo, quando digo que vou estudar, eu realmente estudo, independente de quantos amigos venham me chamar para sair, ou de quantas meninas fiquem peladas na minha frente (não que isso aconteça muito sistematicamente*). Assim como quando eu digo que vou "curtir", eu acabo encontrando alguma forma de curtição para me envolver, mesmo que esteja chuvendo canivetes ou que haja um grupo terrorista ameaçando explodir uma bomba se alguém sair de casa. E se eu for pensar direito, deve ser muito chato para quem convive comigo o fato de eu ser assim tão inflexível. Talvez eu tente mudar, quem sabe...

*tradução: não acontece nunca.

Ouvindo: Slipknot - Psychosocial


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Breve (não tão breve) introdução.

Ter blog tá na moda, por isso eu fiz um. Não que eu seja do tipo que segue modas, mas quando você vê tanta gente se expressando pelas páginas da internet, você se pergunta porque elas fazem aquilo. E é por isso que eu estou aqui hoje, escrevendo. Para descobrir essa resposta...

Bom, eu não tenho teses filosóficas para questionar, nem escrevo histórias, nem sei rimar, então não espero que eu tenha mais de um ou dois leitores, amigos de amigos meus, porque os amigos mais próximos mesmo têm initmidade o bastante pra dizer que não vão perder tempo lendo/comentando coisas que eu escrevo, quando já têm que me ouvir falar diariamente. Não que eu fale tanto assim... eu na verdade sou bem calado. Acho que uma boa música vale mais que mil palavras inseguras e gaguejadas; por isso eu só falo quando sei exatamente o que quero dizer, muitas vezes depois de repassar mentalmente (um trilhão de vezes) tudo que vai ser dito. Claro que não faço isso com todo mundo... tem gente que faz eu me sentir suficientemente a vontade para falar besteiras, blasfemar e até fazer piadas! em geral, pessoas desconhecidas. Hoje, por exemplo, eu conheci uma desconhecida, e falei mais com ela do que com os outros 28 contatos conhecidos que estavam online no meu msn. Não pensem em mim como um anti-social esquisitão; eu apenas vejo aquelas pessoas todos os dias, e achei interessante falar com alguém que eu nunca vejo. Mas falando sério, não é estranho que eu vá perdendo a espontaneidade com a convivência? Pra muitos não faz sentido, até porque o mais normal é você se sentir bem com aqueles que te conhecem mais a fundo. Mas comigo é diferente. Parece que quando eu sei que a outra pessoa me conhece bem, imagino que ela tenha sempre expectativas sobre o que eu vou dizer/fazer/pensar e fico sempre apreensivo, pensando se vou decepcioná-la, surpreendê-la ou ser simplesmente indiferente. A ultima opção é a que mais me incomoda. Sabe aquele ditado? Falem bem, falem mal, mas falem de mim. É sério, pode parecer loucura, mas pior que ser zoado ou rebaixado por todo mundo, é ser invisível. Eu já fui invisível um dia. Sabe aquela sensação de que podem sentar no seu colo a qualquer hora porque pensam que o banco está vazio? É, eu já senti. E acreditem, é uma merda. Mas felizmente passou, foi uma ferida que eu coloquei sal - ardeu e curou. Hoje em dia eu dificilmente passo despercebido por algum lugar... Talvez por causa da música que eu toco, pelas roupas que eu uso, pelo meu cabelo bagunçado, ou simplesmente porque meu nariz é grande demais. De todo modo, não faz diferença. Estou feliz por ser alguém. Alguém com uma namorada, apropósito (eu tinha prometido mencionar ela no post! heueheuehue).